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22/01/2018 Cooperado visita laboratório para ver como é o exame que acusa antibiótico no leite

No mês de dezembro, o laboratório da indústria detectou a presença de em nada menos que 8.398 litros de leite. Esse leite contaminou mais 3.339 litros, o que resultou num descarte de 11.737 litros do produto, na Estação de Tratamento de Esgotos de Passos. Dinheiro jogado fora.

Como esse volume foi praticamente três vezes maior do que o verificado em novembro, estamos voltando ao assunto: o cooperado tem que coletar amostra do leite de vaca tratada com antibiótico para fazer o teste, antes de misturar esse leite ao do restante do rebanho.

Lição dura para o bolso

Para dar um exemplo de como essa situação é grave para o cooperado, procuramos o produtor Hamilton José Pereira, proprietário da Fazenda Boa Vista, que fica a uns 20 km de Passos. A propriedade de 10 hectares é toda voltada à produção de leite. Em janeiro, havia 58 vacas em lactação.

Hamilton conta que a última vaca que ele tratou foi há cerca de um mês. Antes de incluir o leite dela no tanque, mandou fazer o exame. Isso porque o cooperado, que inclusive é membro do conselho de administração da cooperativa, aprendeu uma lição muito dura no mês de outubro de 2017. Por causa de uma distração, o leite de uma vaca que tinha feito tratamento, mas ainda não tinha exame negativo para antibiótico, foi misturado ao leite da ordenha do dia, no tanque da fazenda. Mil litros contaminados por causa de uma única vaca. Pior, no dia seguinte, o leiteiro veio, o leite foi misturado a outros dois mil litros num dos compartimentos. Resultado: Hamilton pagou 3 mil litros de leite que foram descartados.

Hamilton, que só de Casmil tem 30 anos, fez uma análise de como errou: primeiro, confiou no prazo de carência que estava na bula de um novo tipo de antibiótico usado no animal em tratamento.  “Era melhor eu ter descartado a vaca. O que paguei pelo leite foi até mais que o preço do animal” – lamenta, mas mostra que ficou mais atento – “Teve uma vaca que ficou 18 dias acusando antibiótico no leite, enquanto não dá negativo, vou descartando. Numa vaca fiz três exames. Mas é melhor pagar 10 reais num exame que bancar 3 mil litros de prejuízo.

O técnico do Departamento de Qualidade do Leite da Casmil, Vicente Paulo Alves explicou que não se deve fazer isso, pois cada animal reage de uma maneira ao mesmo medicamento. “Passou a carência, faça primeiro o exame”. 

O cooperado conta que esse caso serviu de exemplo até para seu irmão, que adotou essas medidas preventivas, depois que viu o prejuízo que Hamilton bancou. Depois de conversar com o técnico Casmil,  sobre algumas dúvidas que são comuns a produtores de leite, ele aceitou o convite para coletar uma mostra de leite e ir até o laboratório para assistir a um exame, passo a passo.

Precisão eletrônica do resultado

No laboratório, Hamilton foi recebido pelo Diretor de Indústria Clayton Antônio de Freitas e pela equipe da parte da manhã, composta pela Engenheira Química Fabíola Gonçalves Fagundes; a Química Industrial Marcela Rocha Krauss; e o técnico em Química Antônio Luiz Gonzaga, que são analistas de laboratório na indústria.

Fabíola falou do funcionamento do aparelho eletrônico, novíssimo, tecnologia de ponta, usado nesse tipo de exame. Tudo não leva mais que 4 minutos. Uma mostra do leite é introduzida no aparelho e, em seguida, uma fita reagente. Quando o leite está bom, surgem na fita três marcas de cor avermelhada. Se existe presença de antibiótico, apenas duas.

Para comparação, foi utilizada uma mostra de leite de outra propriedade, que tinha dado positivo. Após os dois exames, o cooperado pôde comparar o resultado da amostra que foi coletada em seu tanque de expansão, que deu negativo porque não tinha nenhuma vaca com antibiótico, e a amostra de leite que tinha dado positivo.

A analista Marcela R. Krauss explicou que todos os caminhões que chegam à indústria têm sua carga analisada. Como cada caminhão possui três compartimentos, são três exames, um em cada ‘boca’. Caso uma das ‘bocas’ dê positivo, as amostras de todos os cooperados daquele compartimento são analisadas, para determinar quem provocou a contaminação.

O analista Antônio disse que as amostras avulsas, de produtores que querem esclarecer a condição de uma determinada vaca, são trazidas ao laboratório pelos leiteiros. Dando positivo, o cooperado é avisado. Isso evita que o leite com antibiótico seja misturado no tanque, ou se já estiver no tanque, que seja embarcado no dia seguinte, contaminando todo o compartimento do leiteiro.

Clayton avaliou que esse tipo de demonstração ao cooperado é importante, porque ajuda na formação de uma consciência, reforçando a importância de se seguir as orientações técnicas da Casmil, quanto aos cuidados com o antibiótico no leite. “Se deu positivo, é porque tem. O equipamento eletrônico é novo, moderno, totalmente confiável. Leite com antibiótico tem que ser jogado fora, é prejuízo para todos”.

Hamilton, que não fazia ideia de como o exame era feito, achou importante a experiência e saiu ainda mais convencido de que os cuidados que vem tomando são necessários. “Se não cuidar, todo mundo perde, o produtor e a cooperativa. Se o negócio do leite não está bom, pior com prejuízo por causa de antibiótico”.

 

BOX – Pontos de o fornecedor deve observar

1 – Vaca Seca: depois que a vaca pariu, pegue uma amostra do leite e mande para o teste em nosso laboratório, antes de juntar o leite dela com o das outras vacas do plantel.

2 – Usou pomada em qualquer ferimento, seja no úbere, no casco etc, o antibiótico vai para a corrente sanguínea e contamina o leite. Faça o teste antes de mandar o leite!

3 – Tratamento de um único teto: todos os tetos vão dar leite com antibiótico! Faça o teste!

4 – Terminou a carência do antibiótico, conforme a bula? Antes de mandar o leite, faça o teste! Cada animal leva um tempo para eliminar o antibiótico do organismo.

5 – Leite com antibiótico misturado ao leite bom, não “dilui”. O teste vai acusar. É melhor perder a produção de uma vaca por uns dias, que pagar pelo volume de um tanque ou do compartimento do caminhão!

Presente no campo, na cidade, na vida do produtor.
Casmil, juntos somos mais fortes!