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28/11/2017 Produtor vê com preocupação e indignação o encolhimento da atividade leiteira na região

A queda de braço entre os Ministérios do Governo Temer (de um lado o Ministério da Agricultura – MAPA, a favor dos produtores rurais, e do outro lado o Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços, MDIC, o Ministério das Relações Exteriores, a Federação da Indústria do Estado de São Paulo – FIESP e o próprio Governo do Uruguai) é o retrato de como o segmento leite vem sendo usado como moeda de troca no Mercosul.

                O produtor Luiz Antônio Andrade Valeta, da Fazenda Limeira, localizada a apenas 8 km de Passos, na região do Surubi, faz uma análise crítica dessa situação, falando do encolhimento dessa atividade e mostrando indignação com a falta de uma política favorável ao produtor.

                A propriedade, de 38 alqueires, produz hoje cerca de v250 litros/dia, com 24 vacas em lactação. Mas isso já foi bem diferente. “Em 1986, quando comecei a tirar leite, a gente nem fazia conta do custo do óleo diesel. O salário de um retireiro podia ser pago com 10 litros de leite por dia. Hoje, veja o diesel no preço que está! Um trator custa de R$ 110 a R$ 120 a hora. Por isso os produtores daqui estão alugando as terras para o plantio de cana. Eu preciso de 60 a 70 litros de leite/dia para cobrir o salário de um empregado, fora os encargos. Tenho um funcionário e olhe lá! Resultado, nessa linha do Surubi, todo mundo vai parando”.

                Ele lembra que eram tempos difíceis, de uma trabalheira doida: o retiro começava pelas três e meia da manhã, nem eletricidade tinha, só um motor. O leite era colocado ainda nos latões. Na época da ordenha manual, chegou a tirar 1.300 litros/dia e ter sete funcionários. “Hoje, você passa pelas propriedade e vê que 90% estão mal conservadas, têm cercas e porteiras para arrumar. O produtor não tem dinheiro pra fazer isso. Eu tinha boi holandês no rebanho, mas de dez anos pra cá, coloquei boi nelore pra tirar bezerros para corte e ajudar a equilibrar as contas. O mercado quer leite com qualidade, tudo bem, a gente produz, mas o produtor tem que receber por isso. Estamos produzindo no vermelho” – afirma.

                Valeta acredita que a questão do mercado de leite no Brasil foi desequilibrado, entre outras coisas, pela entrada do leite longa vida (UHT).  Ela comenta que tem leite em prateleira de supermercado bem abaixo do valor que é pago ao produtor. Se considerar embalagem e todos os outros custos de um processo de industrialização e distribuição, a conta não fecha. “Como pode isso? – ele se pergunta” Além disso, não aceita a importação de leite, que só piora a situação do mercado interno. “A indústria quer vender geladeira, fogão, essas coisas, para o Mercosul. Estão usando o leite como moeda de troca. Nós, produtores, é que pagamos a conta, para a indústria exportar seus produtos” – analisa.

 

BOX – Cuidar da qualidade agrega valor ao leite

Na Fazenda Limeira, a assistência técnica levada pela Casmil corrigiu recentemente problemas de qualidade. O leite que em setembro tinha a CBT (Contagem Bacteriana Total) muito ruim – incontável – e afetava até na redutase, deu um salto de qualidade, passando a receber 22 centavos a mais por litro. O único funcionário da propriedade, Juliano Francisco do Nascimento, comentou sobre as duas visitas feitas pelo técnico do Departamento de Qualidade do Leite, Vicente de Paulo Alves, que deixou instruções a serem seguidas. A conduta do funcionário foi elogiado pelo técnico, pois ele seguiu à riscas os procedimentos, como a higienização dos equipamentos, dos tetos (Pré-dipping) das vacas. O proprietário ainda comentou um ponto importante sobre o manejo: “Não adianta segurar uma vaca no retiro, se ela já está secando. O leite dela não tem qualidade. Um litro de leite ruim estraga o resto todo”.

O técnico Vicente de Paulo Alves comentou que nesse tempo de crise, com preços baixos no mercado, fazer a coisa certa garante centavos valiosos. Em uma propriedade com 250 litros/dia, por exemplo, 22 centavos a mais, por litro, significam R$ 1.650,00 na conta, ao final do mês. Dinheiro que, ainda mais em tempos de crise, não dá para dispensar.

Presente no campo, na cidade, na vida do produtor.
Casmil, juntos somos mais fortes!