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28/11/2017 Queda de braço do MAPA na crise do leite

Esta não é a primeira crise no setor de leite. Mas é provavelmente a mais grave e duradoura. Possivelmente a que vai trazer maior impacto. Como em todas as crises, o importante é aprender, tirar dela todas as lições possíveis, o que nos tornará mais fortes para problemas futuros.

O que estamos vendo nesta crise? Primeiro, que a falta de organização e mobilização do setor leiteiro, no passado, nos deixou à mercê de um Governo que faz qualquer coisa para tocar o barco até o fim de seu mandato. Quem fizer mais força, leva. O segmento leite, que vem desorganizado, desunido há muito tempo, viu sua importância ir encolhendo em nossa região, encolhendo até pouco sobrar do que aqui foi antes. Com a nova realidade dos mercados globalizados, o Mercosul,  as regras do jogo são outras, e são bem desfavoráveis ao lado mais fraco.

Vejam que, depois de prometer que não ia mais importar leite em pó do Uruguai, em menos de um mês o Ministro Blairo Maggi voltou atrás, autorizando a importação. Por quê? Porque do outro lado tem muitas forças interessadas nisso. (Leia matéria neste número)

Quais as consequências dessa política do Governo Federal? No Rio Grande do Sul, vizinho do Uruguai, quase 25 mil produtores abandonaram a atividade leiteira no prazo de um ano, e houve queda de 22% no número de produtores no Estado, segundo a Emater! Isso criou um impacto social grande já que, no Agronegócio, a produção leiteira é a que mais gera empregos em todo o Brasil. Naquele estado estão acontecendo dois fenômenos bem previsíveis: de um lado, os produtores estão acabando com seus rebanhos leiteiros e migrando para outras atividades como produção de gado de corte e suinocultura. De outro, as futuras gerações estão perdendo o interesse em continuar a atividade de seus pais. Uma pesquisa da Universidade do Vale do Taquari (UNIVATES) mostra que vários laticínios de médio porte, naquele estado do Sul, decretaram falência e deixaram os produtores de leite na mão. A universidade reconhece que um dos fatores para a crise é a questão do leite em pó.

Em Minas Gerais, com quase um terço da produção nacional, a crise é sentida de forma ainda mais pesada. A Casmil, já faz alguns anos, vinhas buscando apoio, alertando as autoridades, chegamos a entregar em mãos à Ministra Kátia Abreu, então à frente do MAPA, um documento relatando os problemas do setor em nossa região, com uma pauta de sugestões. No ano passado, fomos uma das cooperativas fundadoras da Federação que reúne as cooperativas de leite de nosso Estado, FECOAGRO Leite Minas. Agora gritamos juntos e passamos a ser ouvidos, ao menos isso. Antes éramos absolutamente ignorados.

Se de um lado a pressão política é importante, do outro, a profissionalização do produtor de leite, também é vital. Não importa o tamanho do rebanho, da propriedade: é preciso tocar a propriedade como uma empresa. Se está difícil para quem faz bem feito, com alto índice de produtividade, para quem não cuida da propriedade com profissionalismo, o destino é ficar fora do mercado. Por isso, o apoio técnico da Casmil, programas como “Leite Mais Saudável”, têm enorme importância para o setor.

Presente no campo, na cidade, na vida do produtor.
Casmil, juntos somos mais fortes!